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Para quem está do ladoQuando quem aposta é o seu marido, a sua esposa ou o seu filho
Dr. Bruno Rocha · Médico psiquiatra · CRM-TO 7252
Se você chegou aqui, provavelmente já tentou conversar, já ouviu promessa, já acreditou, e já viu a promessa não se sustentar. Provavelmente também está exausto e com raiva, e se sentindo culpado por estar com raiva.
Isso tudo é esperado. Você não está exagerando.
Começando pelo que não é verdade
Você não causou isso. Não foi por ter cobrado demais, nem por ter cobrado de menos, nem por não ter percebido antes. Transtorno do jogo não é resposta a como a família se comportou.
E você não vai conseguir controlar isso por fora. Checar o celular, controlar o cartão, vigiar o horário: tudo isso pode até ser necessário como medida prática por um tempo, mas nenhuma dessas coisas trata o quadro. Elas costumam virar uma segunda jornada de trabalho para você, e só.
O que costuma não funcionar
Discutir no calor do momento, logo depois de descobrir um valor. A conversa vira briga, a briga vira defesa, e a defesa vira mentira melhor elaborada da próxima vez.
Ultimato que você não vai cumprir. Se o limite é dito e não sustentado, ele ensina que limite não vale.
Pagar a dívida em silêncio esperando que resolva. Quase nunca resolve, e costuma remover a única consequência que ainda estava visível.
Vigiar sem falar. O segredo de um lado alimenta o segredo do outro.
O que costuma ajudar
Escolher a hora. Conversa difícil rende fora do pico. Não no instante da descoberta, não durante o jogo, não de madrugada.
Falar do que você vê, não do caráter. "As contas atrasaram três meses seguidos e eu não estou dormindo" leva mais longe que "você é irresponsável". A segunda frase pede defesa, a primeira pede resposta.
Separar o dinheiro. Não como castigo, como medida de proteção da casa. Contas separadas, acesso combinado, e uma pessoa de fora ajudando a organizar a dívida quando existir.
Oferecer o próximo passo concreto. Não "você precisa se tratar", que é grande demais. E sim uma consulta marcada, com dia e hora, e a oferta de ir junto.
Aceitar que a decisão não é sua. Você pode oferecer a porta. Atravessar é a pessoa que atravessa. Isso é duro e é verdade.
Sobre pagar a dívida
Essa é a pergunta que mais aparece, e ela não tem resposta única. O que costuma se mostrar mais sensato é não decidir isso sozinho, no susto, e não repetir. Quitar uma dívida uma vez, dentro de um plano que inclui tratamento e controle do acesso ao dinheiro, é diferente de cobrir prejuízo toda vez que ele aparece. A segunda coisa vira combustível.
Cuidar de você também é parte do tratamento
Quem convive com isso costuma chegar com ansiedade, insônia e sintomas depressivos próprios, e costuma achar que não tem direito de cuidar disso enquanto o outro estiver mal. Tem. Inclusive porque quem está no limite não sustenta acordo nenhum.
Existem grupos de apoio voltados especificamente para familiares, e eles ajudam. Reuni aqui onde procurar ajuda em Araguaína e região, incluindo o que existe pelo SUS e o que funciona à distância.
Se você quiser conversar sobre o caso antes de envolver a pessoa, dá para fazer isso. Atendo em Araguaína e online para todo o Brasil.
Se você se reconheceu neste artigo, o próximo passo é uma conversa.
Consultas de até 1h30, presenciais em Araguaína ou online pra todo o Brasil. Atende planos de saúde.
Quero agendar uma avaliaçãoEste conteúdo tem caráter educativo e não substitui uma consulta médica. Cada caso exige avaliação individual. Se você ou alguém próximo estiver em sofrimento intenso ou com pensamentos de morte, ligue 188 (CVV, gratuito e 24 horas) ou procure a emergência mais próxima.